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Seguros de saúde, Open Insurance e riscos climáticos em debate no 11º Congresso da APROSE

O 11.º Congresso Nacional de Agentes e Corretores de Seguros reuniu, no Centro de Congressos de Lisboa, os principais líderes e decisores do setor para debater os desafios que a indústria enfrenta

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O 11º Congresso Nacional de Agentes e Corretores de Seguros da Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros (APROSE), que aconteceu na quinta-feira no Centro de Congressos de Lisboa, reuniu líderes, decisores e especialistas em vários debates sobre a evolução do setor segurador e a mediação de seguros no país.

 

Para além das inauguração de Nuno Martins, presidente da APROSE, houve intervenções de José Pedro Aguiar Branco, presidente da Assembleia da República e de Gabriel Bernardino, presidente da ASF, entidade reguladora do setor.

O primeiro painel discutiu o futuro dos seguros de saúde com a participação da MGEN, MPS, do Grupo Ageas Portugal, e da Multicare. Ricardo Raminhos, da MGEN, mostrou-se otimista quanto ao futuro, garantindo que “vamos ter daqui a 10 anos um mercado mais abrangente, de certeza.” Do lado da Ageas Portugal, André Rufino, sublinhou a aposta digital e uma visão centrada na longevidade como a chave para o crescimento: “para nós é importante que os nossos clientes possam olhar para a sua vida numa lógica de longevidade.” Já Filipe Martins, da Multicare, alerta para uma contradição persistente no mercado: “a prevenção faz sentido e tem um retorno muito claro, mas continua a existir sub-investimento.”

 

No segundo painel, dedicado ao Open Insurance, o debate centrou-se no papel das APIs e da standardização como alavancas de transformação do setor com as intervenções de Hugo Gonçalves, da Libax, Leandro Fernandes, da Lluni, e António Castro, da FRANK. Leandro Fernandes, da Lluni, defendeu que “é preciso perceber o que é necessário alterar em cada um dos negócios para que possam usar essa tecnologia”, considerando que “as APIs são um potenciador da integração de tecnologia.”

 

No terceiro painel esteve em foco “Protection Gap – poupança a longo prazo”, com a intervenção de Marta Ferreira, da Real Vida Seguros, de Nuno Serrano, da Lusitania, Maria João Silva, da Generali Tranquilidade, e Ana Paulo, da Zurich Vida. A Real Vida Seguros defendeu que os “benefícios fiscais são importantes para o incentivo à poupança”, e a Zurich Vida a argumentar que, no mercado segurador, existe atualmente “uma enorme diversidade de produtos”. Já a Lusitania aponta que para que haja poupança é necessária “literacia financeira”. No entanto, ressalta a Generali Tranquilidade, Portugal é um país onde a população é “aversa ao risco”.

 

A “Concentração da Mediação” também esteve em debate num quarto painel, com a participação de Joana Pina Pereira, da Generali Tranquilidade, de Carlos Varela, da Allianz, de Nuno Catarino, da Una Seguros, e Luís Cervantes, da Caravela. Para Carlos Varela, a “expansão não garante rendimento”, com Luís Cervantes a concordar e a sublinhar que “quem compra e quem é comprado deve perceber se existe um matching de culturas” empresariais.

 

Também os riscos climáticos e catástrofes naturais estiverem em análise no quinto painel do dia, com as intervenções de Gustavo Barreto, do Grupo AGEAS Portugal, Nuno Clemente, da Fidelidade, Jorge Pinto, da Zurich, e Mário Vinhas, da MDS, após o centro de Portugal ter sido fustigado por um comboio de tempestades que levou à morte 18 pessoas. Nuno Clemente alertou que “as perdas económicas da última década foram de 4 mil milhões de euros, 34% acima de há duas décadas atrás“, defendendo que “a sociedade não pode continuar a conviver com este protection gap.” Gustavo Barreto, da Ageas, recordou que instrumentos como as cat bonds “podem permitir criar uma almofada quando este tipo de eventos ocorre de forma a cobrir os danos”. Mário Vinhas, da MDS, defendeu que “o Estado devia começar a pensar em subsidiar um seguro paramétrico.” Já Jorge Pinto, da Zurich, reconheceu a tensão estrutural do setor: “manter preços acessíveis com seguros sustentáveis é um equilíbrio duríssimo“, defendendo a mutualização através de “produtos modulares” e uma intervenção estatal de forma a que a sociedade se proteja de forma ativa.

 

ECO Seguros 2/03/2026

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