O Estado como rede, não como protagonista
Para o Presidente da Assembleia da República, a gestão do risco deve ser partilhada. Aguiar-Branco sublinhou que a intervenção pública deve ser "essencial, mas supletiva", intervindo onde a iniciativa privada e os mecanismos de mercado não chegam. "Uma sociedade madura é aquela que sabe precaver o seu futuro sem esperar que o Estado seja o único porto de abrigo em cada tempestade", afirmou, numa alusão direta à necessidade de reforçar a literacia de risco em Portugal.
A urgência de um "Escudo Europeu"
As recentes intempéries que assolaram o país serviram de mote para um dos pontos mais fortes da sua intervenção. O Presidente da AR instou Portugal a liderar o debate em Bruxelas sobre a criação de um mecanismo de proteção europeu para catástrofes naturais. Aguiar-Branco defendeu que a escala dos novos riscos climáticos exige uma resposta que ultrapassa as fronteiras nacionais, exigindo uma mutualização de risco a nível europeu que garanta a sustentabilidade do setor e a proteção das populações.
Estabilidade fiscal para a poupança
Dirigindo-se a uma plateia de mediadores de seguros e seguradores, o Presidente da Assembleia da República reconheceu que o setor precisa de "regras do jogo claras". Enfatizou que o incentivo à poupança de longo prazo e aos produtos de reforma só terá sucesso se houver um compromisso político alargado para a estabilidade fiscal. "O investidor e o cidadão precisam de confiança; e a confiança não sobrevive a mudanças legislativas erráticas", sublinhou.
O papel do mediador
Aguiar-Branco terminou a sua intervenção elogiando o papel dos mediadores enquanto "tradutores de complexidade", referindo que, num mundo cada vez mais digital e algorítmico, a proximidade humana na gestão de sinistros e no aconselhamento de famílias continua a ser um valor insubstituível para a coesão social.
Vida Económica 13/03/2026