Para o presidente da associação que representa mediadores e corretores de seguros, “a grande característica do mercado é que contratamos uma seguradora para eventuais riscos de saúde e a seguradora vai dizer ao hospital quero pagar menos para trabalhares mais”, o que coloca um problema entre os dois. “O hospital quer faturar mais com menos trabalho, a seguradora quer pagar menos com mais trabalho”, resume.
Perante esta situação, diz, há seguradoras que querem crescer e ter o seu próprio hospital, outras que trazem uma abordagem diferente. “O mercado vai dizer se está preparado para pagar mais, querer menos seguro, mais risco”, sintetiza, identificando um “desafio grande para seguradoras históricas dos seguros de saúde, que têm de repensar” as suas soluções. Mas, “o mercado vai continuar a crescer”.
Para Nuno Martins, “as seguradoras estão mais disponíveis para apresentar soluções generalistas, mais do mesmo, para fugir dos negócios difíceis”.
Olhando para o mercado como um todo, o responsável realça ainda que o setor está “a vender pelo preço baixo. Quando é que vamos vender por termos um produto melhor e vamos meter prémio em cima disto?”, questiona, argumentando que haverá clientes dispostos a pagar por produtos melhores.
Quanto aos multirriscos diz que não vão ser a salvação do setor, mas vê espaço para aumentar o negócio.
Unir mercado na partilha de dados
Num dia em que muito se discutiu o conceito de Open Insurance, que promove a partilha segura de dados entre seguradoras, mediadores e outros prestadores autorizados, o presidente da Aprose destacou que este sistema de partilha “é uma medida europeia que, como a maior parte das medidas, serve para trazer um valor acrescido ao consumidor”, dando a possibilidade de os “clientes passarem de um lado para o outro”. Surge para “dar poder ao cliente”.
“Para que isto aconteça vão ter de se criar determinadas ferramentas”, explica, acrescentando que isto “traz custo acrescido, em primeiro para as seguradoras, que vão ter de partilhar o cliente”.
“Vai haver necessidade de investimento, primeiro para as seguradoras e depois para mediadores e corretores”, assume. Nuno Martins defende que é preciso, “em prol de um bom serviço ao cliente, unir o mercado segurador no sentido de criar facilidade de comunicação“.
“Um dos caminhos que temos de fazer é encontrar um modelo de partilha que vá ajudar esta fábrica de seguradoras, da seguradora ao corretor. Pode ser ponto de partida para resolver problema do open insurance“, conclui.
ECO Seguros 8/07/2026